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13/02/2009 11:27
MENINA ALICE
Estou no Pelourinho de Salvador (BA) . Amo esse lugar. Talvez pela semelhança com nossa Ouro Preto, mas apimentada com o tempero baiano.
Ó pai, ó! exclama uma baiana que vende acarajé e cocadas na esquina, depois de alguma reivindicação de um turista europeu.
Na Fundação Casa de Jorge Amado, conheço um pouco mais do escritor baiano que tanto li na adolescência. Um de meus ídolos. Antes, no Forte São Marcelo, conheci também mais da história da nossa colonização e da invasão dos holandeses na Baía de Todos os Santos. Um forte ricamente histórico, imponente e com uma vista maravilhosa.
Já no Largo do Pelourinho, tão visto pela TV, revistas e jornais, sento nas escadas, em frente à Fundação, ao lado de Alice. Sua mãe vende água. Estou chupando um picolé e ela não me pede, mas fica cantando, em "baianês": "Um picolé isso, um picolé aquilo...". Ofereço-lhe a parte que ainda resta. Mas ela ainda resiste. Apesar de ir pra rua com a mãe, que vende também refrigerante a menina Alice é muito educada. Acaba aceitando, depois de eu insistir, sem antes deixar de perguntar: "Tu não quê mesmo?" Depois, começa a chupar o picolé e a me contar que um moço caiu de moto e se machucou todo, em seu bairro, e chamaram o Samu e tal... Espanto-me com a esperteza de Alice e sua mãe me conta que ela tem apenas três anos. A outra turista olha pra ela, como eu. E antes que a sua mãe ou eu digamos alguma coisa, Alice, a menina baiana, se adianta: "Eu sei tudo!"
Penso que a espontaneidade daquela expressão seria uma possível resposta à famosa pergunta: "o quê que a baiana tem?"
Priscilla Porto
Publicada no jornal O LIBERAL, de Ouro Preto, em 13/02/09.
priscillaporto@gmail.com
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