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23/01/2009 11:51
Vida de cachorro?
Já estamos quase no segundo mês do ano, mas ainda há tempo para planejar. Aliás, ainda há tempo de olhar para os últimos 12 meses e analisar o que valeu a pena ou não. Tentar traçar metas com fundamentos e sem riscos. Bobagem! Quantos planos fazemos e esquecemos nos papéis velhos da gaveta cheia e desarrumada do armário?
Às vezes, o que me espanta é o leque de novas oportunidades que para nós se configura, a cada amanhecer, após uma noite mal dormida e cheia de problemas. Ainda que tudo pareça perdido, o travesseiro consegue nos confortar um pouco e aliviar dificuldades que insistem em nos fazer constatar o significado exato de ser gente, ser adulto e ser alguém no emaranhado de pessoas, idéias, ideais, necessidades e planos que arquitetam nossa espécie.
Enquanto isso, o cachorro aqui de casa, espreguiça, deita e lança-me olhar lânguido de bicho que - exceto em nossos momentos máximos de prazer - tanto invejamos. Parece que, as maiores dificuldades que tem são conseguir pedaços de nossas comidas uma vez que a sua parece não mais lhe satisfazer - e curtir alguns momentos de prazer em cima de nossas camas, antes de ser descoberto e sair correndo.
Mas, voltando a nossa realidade e tentando fazer uma análise dos "acertos" e "erros" praticados no ano do que se foi, gostaria de concluir alguma coisa. No entanto, quem conclui será, apenas, Deus. Enquanto vivemos estaremos, repetidamente, tentando. Tentando ser feliz, tentando nos satisfazer, tentando amar, tentando nos encaixar em padrões pré-estabelecidos.
Priscilla Porto
Publicada no jornal O LIBERAL, de Ouro Preto, em 23/01/09.
priscillaporto@gmail.com
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