Crônicas de Priscilla Porto

10/01/2009 11:00
CESSAR-FOGO

Sentada em uma carteira da Escola Dom Velloso, em uma manhã da década de 90, tomei conhecimento de estratégias, "causas" e conseqüências de uma guerra. A 1ª Guerra Mundial. E lembro que uma palavra no meio daquilo tudo, que parecia tão distante - por tempo e espaço- não saiu da minha cabeça: a trincheira.

Depois, sempre que via filmes e documentários sobre guerras, lembrava-me da carteira da escola, da manhã nublada e do professor tentando explicar aos alunos, algo tão improvável de se explicar. Enquanto isso, ficava imaginando a trincheira, a iminência do medo e a proximidade do inimigo. No entanto, o medo era compartilhado: do seu lado ou do outro a guerra era concreta e o fim era real.

Hoje, a guerra é na Faixa de Gaza. E, agora, a guerra principal não ocorre mais em trincheiras. Atiram foguetes e mísseis em alvos "imaginários". O inimigo não está tão próximo e a piedade foi a primeira a bater em retirada. Fotos nos jornais e na Internet mostram pessoas se defendendo, deitadas no chão e com as mãos na cabeça. Pessoas protegendo seus filhos, a céu aberto, como se a mão na cabeça ou o enlace na pessoa que você tanto ama, fossem capazes de protegê-las da impiedade humana.

Israel, Palestina, Hamas, Hezbollah, religião, xiitas, terra, missões, autonomia, reuniões. Tudo que deveria girar em torno das vidas que estão indo embora, girando em torno da irracionalidade.

Priscilla Porto
Publicada no jornal O LIBERAL, de Ouro Preto, em 09/01/09.
priscillaporto@gmail.com
enviada por priscillaporto






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