Crônicas de Priscilla Porto

21/11/2008 22:17
Vai com Deus, Rafael!

Rafael, te conheci pessoalmente em fevereiro. Mas, de vista, já te conhecia há tanto...

Não sabia, antes, que você já era jornalista. Não sabemos tanta coisa...

Você me ensinou o que faço agora e, por muitas vezes, fiquei sem graça de te ligar pra tirar alguma dúvida. Ai, eu devia ter ligado! Eu devia ter falado mais contigo. E eu deveria, acima de tudo, ter ligado pra te dizer que, lendo as matérias que você escrevia, antes de mim, eu pensava comigo: "Nossa! O Rafael escreve tão bem!"

Lembro do dia em que, na Semana Nacional dos Museus deste ano, você me contou um tanto de história e disse que estava acompanhando o que eu estava escrevendo. E, fiquei com uma vergonha, menino! Sabe por quê? Porque você, Rafael, escrevia tão bem...

No sábado passado - poxa! - no caixa do supermercado, só consegui mexer contigo e ver seu sorriso terno. Poxa! Pela última vez...

Nossa, se soubesse! Se soubesse... Se soubéssemos quando será a última vez...

Teria ali, à beira do caixa mesmo te dito: "Nossa, Rafael! Você escreve tão bem!"

Mas, não dizemos tanta coisa...

E, agora, não posso mais te ligar.

Mas, se ainda puder me ouvir, Rafael, só queria que você fizesse uma pergunta aí pro nosso Editor-Chefe:

"Por que gente boa vai embora tão cedo?"

Priscilla Porto
Publicada no jornal O LIBERAL, de Ouro Preto, em 21/11/08.
priscillaporto@gmail.com

enviada por priscillaporto






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