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10/10/2008 10:22
MUROS DAS LAMENTAÇÕES
Você já dorme, no dia anterior, reclamando que, no outro dia, terá que acordar cedo. E, se, o dia posterior, for a emblemática segunda-feira, meu Deus! A reclamação aumenta exponencialmente.
Então, quando acorda, você reclama que não dormiu direito. Ou estava calor demais ou a ingrata a preguiça fez você dormir a noite toda só com um cobertor, enquanto outros tantos esquentavam seu guarda-roupa - o qual, pelo menos, não reclama.
"Trabalho? Hum! Poderia ser sinônimo de eu vou para o meu "eu odeio"; tô indo para a "cruz da minha vida" ou tô atrasada para o "o quê que eu tô fazendo aqui?" Isto porque, quando você está desempregado, você mitifica o futuro ou um possível emprego e idolatra quem não está em casa assistindo "Sessão da Tarde", e sim, está fora de casa, ocupado com '"produtivas e sonhadas" horas trabalhadas. Mas, depois, meu amigo! Depois da carteira assinada, a história é outra! E nem é preciso comentar mais nada.
No campo afetivo, meu Deus! Você passa quase um terço da vida reclamando que não tem ninguém. Quando "arruma", reclama que o ser encontrado não é tão bonito quanto você gostaria, não chega nem perto de ser o titular de uma conta bancária um pouco mais recheada, ou está bem aquém do parceiro ideal com o qual você é que idealizava.
E você vai levantando, a cada dia, um tijolinho do seu imenso muro de lamentações. Só não se esqueça de não reclamar no dia em que tentar sair de casa e não conseguir mais abrir nenhuma porta.
Priscilla Porto
Publicada no jornal O LIBERAL, de Ouro Preto, em 10/10/08.
priscillaporto@gmail.com
enviada por priscillaporto
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