Crônicas de Priscilla Porto

05/09/2008 12:40
SÓ UM COPINHO


Juliana acordou bem nesse dia. Era sábado, e ela adorava os sábados. Isto porque, no fim de semana, como adolescente que era, se produzia toda, ficava "viajando" sobre como seria a noite e quase sempre voltava para casa "feliz".

Ricardo acordou cedo e foi trabalhar na manhã de sábado. Era motorista de uma empresa de minério. Já dirigia há bons anos e, ao final do expediente, marcou com o amigo de irem a uma danceteria para "desestressarem".

Paula era amiga de Juliana. Amiga de infância. Acordou com a mãe pedindo para ela ajudar a fazer a feira e carregar as sacolas. "Ah! Mais tarde se arrumaria para sair com Juliana", pensou.

Bruno era amigo de Ricardo. Trabalhava em um supermercado. Saiu bem tarde de lá, quando Ricardo ligou para confirmar de saírem juntos.

Juliana, Ricardo, Paula e Bruno foram à mesma danceteria na noite de sábado e lá se conheceram. Na hora de ir embora, resolveram dar carona para as meninas. "Só um copinho não iria atrapalhar o motorista profissional a dirigir" – chegou a zombar.

Ricardo ficou vivo.

Bruno morreu.

Juliana morreu.

Paula não pode mais ajudar a mãe na feira. Está em uma cadeira de rodas.

Priscilla Porto
Publicada no jornal O LIBERAL, de Ouro Preto, em 05/09/08.
priscillaporto@gmail.com
enviada por priscillaporto






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