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08/08/2008 10:50
O QUINTO BOMBOM
Certa noite de julho, chegava em casa do trabalho, quando minha irmã, que um pouco antes trouxera de viagem, quatro bombons, distribuía três deles entre meus três sobrinhos que passeavam por aqui de férias. O quarto bombom foi destinado ao meu pai.
Como amo chocolate, comecei a reclamar que queria um também. Mas, já era tarde e não havia um quinto bombom.
No entanto, alguns pais são como mães para seus filhos. E, embora, não lhes dêem o peito, não troquem suas fraldas pela madrugada e não tenham a mínima idéia do que seja a dor de um parto, têm por seu filho uma preocupação ímpar...
E por mais que os presentes não sejam tão bem escolhidos para o seu dia, o almoço não tenha tanta pompa, os cartões não sejam tão bonitos, eles têm pelos filhos um carinho desmedido...
E, embora, busquem os filhos pela madrugada, adolescentes de "caras viradas"; embora ensinem o filho a dirigir, mais este brigue por não poder usar tanto o carro; a filha ganhe a festa mais bonita de 15 anos, mas chora por não poder chegar em casa tarde; eles têm por seus filhos um sentimento incondicional...
Há pais nossos que não estão no céu e, por aqui, se esforçam ao máximo para nos dar o pão de cada dia, tentar nos fazer saber perdoar e não cair pelos nos caminhos tortuosos da vida.
Há pais que estão camuflados em graxa de tinta, em meio a reuniões de negócios ou quase se transformam em números de tanto trabalhar com contas. E, muitas vezes, não sobra tempo para uma palavra "de graça", uma troca de receita, um conselho sobre o pretendente a namorado.
Mas, não podemos nos esquecer de que o pai nosso também precisa de muito carinho.
Não havia um quinto bombom. Mas, meu pai pegou o seu bombom, o partiu e me deu a outra metade.
Priscilla Porto
Publicada no jornal O LIBERAL, de Ouro Preto, em 08/08/08.
priscillaporto@gmail.com
enviada por priscillaporto
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