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25/07/2008 11:16
UMA CAMA NÃO ARRUMADA
Tem dias que é tão difícil ficar por aqui e é tão estranho...
E parece que não valeu a pena um segundo sequer depois do instante em que levantamos da cama.
Há dias que mereciam ser apagados do nosso calendário. Dias em que nada dá certo. E isto porque o que parece certo pra nós, não é c, não é e, não é r, não é t, não é o, e não se configura nem de perto do oposto do que é errado pra gente. Bem como para nosso mundinho, pois, na maioria das vezes não estamos inseridos em um mundo de mais de 5 bilhões de pessoas. Nosso mundinho se cerca de, no máximo, uns 60 indivíduos, isso quando não é só de um: o eu mesmo.
E uma cama não arrumada te faz brigar com sua irmã. A TV que ficou ligada a noite toda provoca discussão entre você e sua mãe. A conta alta de telefone te joga na cara xingos de teu pai. E toda discussão iniciada em casa é levada dentro da bolsa para o trabalho.
E lá, não é diferente. E tudo o que você vai fazer, com o mínimo de concentração, incrivelmente dá errado. O arquivo que você estava digitando para seu chefe e não salvou, vai pro espaço. Depois de digitar tudo de novo, a impressora não funciona. E quando resolve funcionar, o cartucho acaba.
Mas, estranhamente, seu chefe precisa ir embora mais cedo e deixa o relatório para o outro dia.
Só não fica para amanhã, a sensação de dia jogado fora. Sendo que não era o dia que gostaria de ir para a lata de lixo.
Priscilla Porto
Publicada no jornal O LIBERAL, de Ouro Preto, em 25/07/08.
priscillaporto@gmail.com
enviada por priscillaporto
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