Crônicas de Priscilla Porto

27/06/2008 22:16
MUITO MOÇO PRA TANTA TRISTEZA

Há muito tempo, quando era pequena, tocava na minha casa uma música cuja letra dizia: "Eu só queria ter do mato/Um gosto de framboesa/Pra correr entre os canteiros/E esconder minha tristeza./ E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza .../E deixemos de coisa, cuidemos da vida./Senão chega a morte/Ou coisa parecida./E nos arrasta moço/Sem ter visto a vida."

Gostava já da melodia, mas não atentava muito para a letra. Tampouco para seu sentido.

Há três anos, quando estudava em Viçosa, fui à entrega de prêmios de um Concurso de Poesia e a cantora, acompanhada de violinista, cantou a música – cuja letra é uma poesia de Cecília Meireles. Tratava-se de "Canteiros", conhecida como música de Fagner.

Agora, além da letra admiro muito sua essência.

Só não entendo muito porque as pessoas andam tão tristes, ainda jovens. A depressão assola enorme porcentagem de adolescentes e, até mesmo, pré-adolescentes.

E o stress, o vazio, a falta de fé e a falta de esperança vão assolando as pessoas e arriscando que a sociedade vire um aglomerado de sobrevidas.


Priscilla Porto
Publicada no jornal O LIBERAL, de Ouro Preto, em 27/06/08.
priscillaporto@gmail.com
enviada por priscillaporto






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