Crônicas de Priscilla Porto

29/04/2008 00:12
A LINHA E OS OLHOS DE DEUS

Quando seu cordão umbilical foi cortado e, alguns dias depois, você perdeu o pedaço que lhe restava, a impressão foi de que estaria liberto? Enganou-se!

Isto porque, a partir daquele momento, você passou a estar ligado a uma linha, a qual tem alguém lá da cima monitorando. Às vezes, soltando um pouquinho e outras, dando muita corda, a qual não são poucos os que a engole...

Poderíamos ter recebido um crachá ao nascermos, mas seria explícito demais. O que uma pessoa ou não pessoa (o que talvez seja mais propício) é, está estampado em seus olhos.

Por isso, conhecemos em nossa estadia por aqui, olhos tão profundos. Olhos tão piedosos. Olhos tão aconchegantes e outros, olhos tão falsos...

Pessoas não precisariam de orelhas, bocas, braços, pernas e vasto aglomerado de pele, osso e e aminoácidos... Bastaria que o mundo fosse um amontoado de olhos flutuantes que se cruzariam e, já diriam - sem palavras - tudo, uns aos outros.

Mas, mesmo esse "tipo" diferente de pessoa estaria ligada a uma linha tênue entre a mentira e a verdade. Entre o valer a pena estar por aqui e o estar por aqui apenas para prejudicar aos outros. Linha esta que seria a qualquer momento conduzida para cima, ou que, em justa homenagem, seria repassada para as mãos de um ser lá de baixo e pouco nobre...

Priscilla Porto
Publicada no jornal O LIBERAL, de Ouro Preto, em 25/04/08.
priscillaporto@gmail.com
enviada por priscillaporto






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