Crônicas de Priscilla Porto

03/05/2008 01:01
1 PESSOA MORTA A CADA 48 HORAS

Certa vez, em uma explanação sobre a Primeira Parada Gay de Ouro Preto, dois homens e uma mulher que se encontravam na platéia, próximos a mim, não paravam de achincalhar o expositor. E isto, mesmo enquanto ele falava, entre várias questões sérias, que, no Brasil um homossexual é morto a cada 48 horas no Brasil.

Não entendo porque a homofobia é tão grande em um planeta onde ninguém é igual e tampouco se pode chegar à conclusão de que alguma coisa seja normal. Porque o homem ou a mulher que não são heterossexuais incomodam tanto e, incomodam mais ainda, se forem felizes?

A outra vez que tive a infelicidade de presenciar comportamento tão desprezível, foi no laboratório de informática da universidade em que estudei. Ao meu lado, três rapazes começaram a fazer tanta algazarra, que não teve como eu não olhar. Assistiam no youtube, a um vídeo de uma festa gay, na qual um dos presentes estava vestido de mulher. Riam muito e não paravam de xingar o homem. Entretanto, não paravam também de ver o vídeo. Mostravam-se enojados, mas não mudavam de site ou de tela. Não agüentei. Deixei o trabalho que fazia pela metade e desliguei o micro.

Mas, o que gostaria de verdade, é de ter desligado a mente daqueles três cérebros pobres de estudantes universitários (!).

Priscilla Porto
Publicada no jornal O LIBERAL, de Ouro Preto, em 02/05/08.
priscillaporto@gmail.com
enviada por priscillaporto






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