Crônicas de Priscilla Porto

29/02/2008 10:41
"OI, TIA! NASCI!"


Seria um pecado olhar as coisas por um ângulo quixotesco? E, consequentemente, entregar-se a uma eterna luta contra moinhos de vento?

Pois, não poucas vezes, essa é a conduta adotada. Complicar, complicar mais um pouco, complicar em nível preocupante, até não conseguir mais sair de uma complicação que se apresenta real, mas que foi, por nós mesmos, inventada.

Talvez, isto ocorra, porque, atualmente, refletimos pouco. Talvez porque, sentar à beira da rua, folhear as páginas de um bom livro e deixar a imaginação rolar solta, faça parte de um mundo utópico, embora de origem adversa à dos moinhos de vento.

Mas, o que fazer se fomos ou estamos privados da liberdade de fantasiar, para não corrermos o risco de sermos taxados de loucos ou de pessoas com pouquíssima coisa para se fazer? E, se primeiramente, vieram o cinema e a televisão (deixemos de fora o rádio, pois, este, ainda faz o ouvinte pensar ou exercitar, um pouquinho que seja, a sua imaginação), posteriormente, vieram os vídeo-games, computadores, internet, celular, mp4, 5, 6, 7 e o diabo também informatizado a 4, 5, 6 etc.

E o problema todo pode estar no fato de que, nós, de gerações que ainda conheceram o disco de vinil, a máquina de escrever e as fichas de telefones públicos, ainda tenhamos pequenos surtos nostálgicos e clamemos por um pouco de bucolismo. Mas, e quem já nasce quase mandando sms para tia distante, com os escritos "Oi, tia! Nasci!", e, quando criança já sabe usar computador, máquina digital e celular, vai se interessar pelos livros e pelo exercício de imaginação, por quê?


Priscilla Porto
Publicada no jornal O LIBERAL, de Ouro Preto, em 29/02/08.
priscillaporto@gmail.com
enviada por priscillaporto






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)